durante o inverno seco

eu queria fazer um novo post.
porque todo mundo quer.
porque eu quero.
eu queria falar dos problemas no trabalho, de todas as angústias de ter que pensar em mudar de emprego, e de ficar pensando nisso me deparar com a realidade: que a vida de gente grande é cheia de escolhas, como um labirinto escuro que eu não sei que caminho tomar.
eu queria poder usar clichês.
eu queria poder admitir que tenho medo.
eu queria poder dizer que estou feliz, pois fiz novos amigos e hei mãe! eles são legais e além do mais, não querem nem saber.
eu queria poder falar que os amigos mais antigos são tão importantes para mim, que eles talvez não ainda não se tenham dado conta de como é bom conversar com eles e ouvi-los, de tramar com eles pequenos estratagemas e depois rir horrores de tudo isso, sabendo que tudo não passava de uma séria brincadeira.

no inverno o céu azul, mas é azul intenso e reflexivo

eu queria falar do buraco...
do buraco que é o sentido, que às vezes não existe, que me faz lembrar que vou para os trinta e três e que quando eu tinta vinte e três achava que agora seria tudo tão diferente.
queria falar que quase sempre eu me lembro de você, embora você não saiba, acho até mesmo que você nunca soube, que sentimentos não cabem na balança de precisão. enquanto você se preocupou com a mensuração, eu me preocupava em viver, em curtir as coisas simples da vida, (adoro esse clichê) como tomar cerveja e jogar conversa fora, em usar um cachecol num dia de frio e transar numa noite de calor até ficar suado.
eu queria nunca mais ter dor de garganta, pelo menos não uma psicossomática.


 



 

a single life

acordo todos os dias de manhã. vou para academia, vou para o trabalho, almoço no mesmo restaurante (o tempero é sempre igual), volto para casa, levo o cachorro para passear.
uma vida rotineira e simples.
na agenda do celular alguns números de telefone a menos. na cabeça, algumas preocupações a mais. nada muito sério.
solidão? diz a doutora. talvez... mas ela é dura e insiste: solidão? sim - se assim está bom para você.
a verdade é que você é igual a todo mundo. que bom! assim eu não preciso ser especial, nem mostrar o melhor de mim. e melhor ainda: não vou me apaixonar por você.
porque na verdade, as coisas simples da vida, como assistir televisão de domingo a tarde, comendo a mesma pipoca de mão dada, não são tão simples assim.



 

ai ai ai

“o que a gente precisa é/ tomar um banho de chuva!”

nesta madrugada eu fiz o que a vanessa da mata sugeriu: tomei um banho de chuva


 

então... é isso

no ano de 2.005, em todas as noites latinas que eu fui, tinha que trabalhar cedo no outro dia. até mesmo porque, sou uma pessoa comum, que trabalha em horário comercial como todas as pessoas comuns. por este simples motivo, sempre tinha que ir embora por volta de meia noite e, de preferência, com uma taxa mínima de álcool no sangue. mas em 2.006, na última noite latina da história foi diferente: estou de férias. então pude ficar até as horas que os movimentos voluntários de minhas pernas permitiram, pude ingerir quanto álcool meu organismo pôde processar, pude ouvir as músicas que tocam depois da meia noite e pude ver como as pessoas se comportam num bar quente, apertado e ainda assim se divertem.
obrigado janávila por me ajudar a descobrir a alma latina que pulsava dentro de mim. huahuahuahua!!!
obrigado amigo edenilson, pela ótima frase “a bola está do seu lado da quadra”. ela me ajudou a ganhar o toco oficial da noite.
melhor assim.


noite do charuto cubano


 

sou mais a feiticeira



esses dias fui ao cinema assistir as crônicas de nárnia, o armário, a feiticeira e o leão. puts adorei o filme. ele era recheado daqueles personagens que sempre passearam pela minha cabeça quando eu era criança: unicórnios, faunos e principalmente os centauros. acho massa os centauros. sempre quis ser um. ou se fosse para ser um animal ao invés de ser humano gostaria de ser um cavalo inteiro logo de uma vez. a verdade é que eu achei o filme muito criativo, apesar de estar calcado naquela velha máxima de que “o bem sempre vence o mal”. no fim o leão faz o que devia ser feito: mata a feiticeira com uma mordida - eu sei que isso pode parecer óbvio, mas, quantas vezes o he-man poderira ter matado o esqueleto e o deixou viver? acho que era só para ter a continuação dos outros episódios. o fato é que apesar de ter torcido o tempo todo para que os quatro irmãos se dessem bem e conseguissem vencer a batalha (aliás, acho que aqui cabe um parênteses: por que do lado do bem estão os felinos e do lado do mal estão os ruminantes? se eu fosse um javali abriria um processo contra a disney), eu achei que a feiticeira roubou a cena: para cada cena um pentedo e um vestido diferente. ambos lindos e é claro, com muito estilo. se fosse em 2.006, quem tinha que ganhar a batalha, era ela.

oi! eu sou linda e loira - e só uso modelões


 

t-shirt

uso uma camiseta uva velho.
velho para lembrar como você é velho.
velho para lembrar como você é feio e magricela.
velho para lembrar que você nunca vai ser igual a eles, pois quanto mais o tempo passa, mais ele te acrescenta. não você não ganha mais nada. você apenas regride, você apenas retrocede.
você não tem nenhum dó dos coitadinhos, você não acredita no amor - este a solidão encarregou-se de tomá-lo para si. não precisa. não criou uma necessidade de consumo capitalista. fique assim mesmo. só não se sinta mal por isso: é até onde você dá conta, diz a doutora. ela deve saber o que fala. você tem vontade de chorar? hahaha, mas que tolice! a vida é de graça, já lhe disseram uma vez. experimente vivê-la. aproveite que daqui alguns dias, o mesmo sol que te queima a pele agora vai te queimar com data nova: 2.006!

enfim nos vimos de novo. tivemos uma conversa. ainda não entendi. pelo menos não na prática. você gosta de tirar satisfações. infelizmente eu não tenho as repostas que você quer, talvez nem mesmo seu inconsciente as tenha. eu sinto muito. sinto muito mesmo. você sabe que não podemos usar a palavra “culpa”. ela não foi sua nem tampouco minha. talvez o destino exista. talvez tenha de ter sido assim mesmo. mas a verdade é que sinto raiva. ainda hoje me lembrei de você, enquanto vagava sozinho por lá.

os carros estão guardados tortos na garagem, talvez porque você estivesse bêbado na hora de guardá-los. agora é hora de dormir e ter mais alguns pesadelos. boa noite.


 

on this sunday


sunday: em português pode ser o nome de um sorvete; é ainda a contração de duas palavrinhas da língua inglesa: dia e sol. mas o domingo não tinha nada de ensolarado. ao contrário. estava nublado e ventava bastante. talvez porque quando o papai noel chega traga consigo um pouco da neve dos pólos. a verdade é que o dia estava mais para decepções. acho que tudo faz parte de um balanço de find ano, inevitável período de avaliações pessoais: o que eu quero de mim mesmo ano que vem? bom, para o ano que passou me prometi duas coisas que não consegui cumprir: não falar palavrão no trânsito e não falar mais tão alto. o que eu queria para ano que vem está além do meu alcance: não queria mais me decepcionar com outros: a amiga que te fala que sempre saiu com você por obrigação; o namorado que passa a frequentar os lugares que ele odiava quando estava com você e aquele novo pretende idiota que te enrolou por semanas e passa desfilando na tua frente com um bagá qualquer...
é... feliz ano novo!

ploc! bem na testa


 

merry xmas!

saio triste do cinema. na verdade não é bem tristeza. acho que é só uma sensação de vazio misturada com a decepção do filme. ando pelos corredores vazios do shopping. só os manequins das vitrines com suas perucas com cortes fashion me olham. ganho o estaciomento. apesar dos dias quentes à meia noite é frio e venta. meus cabelos balançam e eu adoro isso. para chegar até o carro é só traçar uma linha em diagonal até ele, uma vez que está tudo vazio. no céu escuro, poucas estrelas. ali parece que é o fim de londrina: para todo lado que olho só vejo a terra vermelha salpicada do que de dia deve ser verde. parece o horizonte de um sítio... em meio a essa vista tem uma torre, acho que é de alguma emissora de tv. está toda enfeita com luzes de natal que sobem por ela. acho que desde que eu era criança que veja essa torre com esse mesmo enfeite. e me lembro de que “é natal”. e constato que que não entendo onde há lugar para tanta hipocrisia.




 

estranho, esquisito, bizzaro

mil novecentos e setenta e alguma coisa...

a fantástica fábrica de chocolate. a primeira vez que assisti a esse filme morava numa casa de madeira simples, bem mais simples do que a que moro hoje. minha televisão ainda era em preto e branco e era a primeira televisão da minha casa. quando cheguei no cinema e comecei a assistir a versão 2.005 me lembrei porque eu tinha tanto medo desse filme: é porque eu tinha medo de anão! fiquei mais tranqüilo, afinal, esta versão conta com os oopa loopas e não com anões. Identifiquei-me com charlie, chorei, depois continuei a lembrar de mais algumas sensações de mal estar, como por exemplo ver o gordo entalado no cano, ou uma menina inchar até ficar redonda e azul como uma amora gigante. medo, medo, medo. eu era uma criança assustada. mas agora com trinta e tantos anos pude apreciar melhor. achei lindo o visual surreal (não é o bombom de chocolate) do filme e fiz até uma análise social das personagens. muito legal.

dois mil e cinco.


 

my friends

eu adoro meus amigos. como disse uma vez minha amiga das garrafas virutais “amigos são a família que a gente escolhe”. acho que é até mais legal... afinal, as pessoas da família a gente manda tomar banho e depois fica tudo bem, porque é família mesmo. amigo tem um sabor diferente: quando manda à merda tem que ter mais cuidado para falar de novo! esses dias me pergutaram: qual seu melhor amigo? respondi que na verdade, o melhor amigo não existe. todos são melhores, só que cada um numa especialidade. é, assim, igual médico.
mas mesmo assim, sempre tem a parte do incompreensível.
quando você chega e diz:
_puts, tô lixo!
_meu que nada! você é mó legal.
quando você chega e diz:
_puxa, como eu fiquei bem na foto!
_meu, deixa de ser convecido!

#

ontem fui ao cinema assistir o episódio III. confesso que fui cheio de preconceito. afinal de contas ficar vendo navinha atirando e lutinha de espadinha de luz é um saco.
mas o episódio III é muito mais que isso. além das mudanças de cenas com efeitos super anos 80, o filme conta com recursos simples, como exemplo falar sobre amor (anakin resolve conhecer o lado negro da força por amar demais padmé) e depois disso resolve matar, trair...
nem parecia uma galáxia tão distante.



 

the question is...

eu sou cabeleireiro. não sou bom nem ruim. sou apenas um profissional que faz seu trabalho e tenta seguir os preceitos éticos.
recentemente, abordado completamente alcoolizado numa balada dessas de sábado, a guria me perguntava: mas o que faria no meu cabelo? você acha que essa cor está legal? porque eu fui no “fulano” e manchou todo meu cabeeeelo!!!
a pergunta é a seguinte: se eu fosse médico ginecologista, você me perguntaria sobre aquela sua coceira vaginal?


 

post para minha mãe


não, não se preocupem, a ignêz não é morta. alías, minha mãe, que é a mãe mais fofa do mundo (vide foto/see the picture) e que até seu nome não se escreve de qualquer jeito, está mais vitaminada do que nunca.
e nesta sexta feira santa, ela, que é a única pessoa que eu amo neste mundo e nesta vida, com sua personalidade surpreendente e cativante, fez meu prato preferido: bife à milanesa!sim, bife de boi! uaca, uaca, uaca!

mãe só tem uma!


 

uma quetão de ética

já faz algum tempo, vez por outra vou até a rodoviária, no quiosque do japonês tomar suco. minha freqüência tem sido tal que, já posso dizer que provei todos os sucos do cardápio com framboesa e com morango. bom, na última noite de segunda feira, disposto a experimentar um suco que não tivesse nenhuma das duas frutas, acabei tendo uma congestão antes mesmo de fazer o pedido.
dividindo o espaço com outros freqüentadores estava ninguém mais ninguém menos do que o ilmo. sr. a.c. beligatti. com seu nariz que era uma pura casca de pus, lembrando uma fruta do conde madura, cercado de puxa-sacos, cumprimentava todos entrava na casa de suco. c-l-a-r-o que eu, londrinense nascido e crescido no centro, ignorei-o. o japonês, que sempre atende as pessoas do lado de dentro do balcão, fervia conversando com o “político” e seus amigos do lado de fora. a questão é: estaria o japonês apenas sendo simpático com seus clientes, afinal business are business, ou o comerciante realmente apóia os planos de governo defendidos por este candidato?

!++162++!


 

you're invited!


vou relembrar os anos 90, quando ainda não tinha internet, quando billy corgan ainda era careca, quando tudo ainda era etéreo, quando todo mundo era louco, quando eu ainda não te conhecia na sua mais profunda fofisse.
pena que você não vai estar lá...

tributo smashing pumpkins - banda 729 - bar valentino - 23 de março - quarta feira - 21h30 - $ 3, 00


 

algumas constatações


o chopp da frábrica 1 deixa de ressaca.
deus inventou a preguiça.
o homem inventou a iniciativa.
deus inventou a gordura.
o homem inventou a comida industrializada e potencializou a gordura.
deus inventou o sol.
o homem inventou a academia e o horário das 7 horas da madrugada para treinar.
tudo porque alguém falou que se não pagar para estar lá, naquele horário e naquele lugar, haverá muita preguiça e muita gordura no juízo final.



 

porque hoje é sabado


sábado é um dia que para a maioria das pessoas é bom. há a possibilidade de almoçar, de dormir a tarde toda, de passear no shopping, assisitir a um bom filme, jogar futebol com os amigos (por que não?), mas, apesar de o trabalho ser uma bênção na vida das pessoas, às vezes trabalhar aos sábados até as 20, 21 horas é, confesso, cansativo. e apesar de todo cansaço ser compensado, no último dia 26 eu fiquei triste. perdi duas clientes, ambas se formaram e agora vão cuidar de suas vidas em outra cidade. passamos três anos juntos. conversamos muito, rimos muito, nos demos muito bem ao longo desse tempo... e agora vale apenas a frase: estando em londrina, passe aqui para a gente tomar um cafezinho!

estou assistindo a entrega de oscar, estava torcendo para natalie portman, mas aquela hoolywoodiano “o aviador” tá ganhando tudo!




 

eu me contaminei

primeiro com os ácaros do ar condicionado
as cordas vocais comprometidas

depois com a kboa
as mucosas inchadas
depois com a aguarrás
todo o sistema respiratório deficiente

e por último toas as dúvidas que passeiam pelos miolos como se fossem labirintos de arbustos, como num filme lúdico, sem final. sem saber o mal que posso causar a mim mesmo.


duas coisas que vou morrer sem entender:
por que as pessoas gostam de churrasco?
por que as pessoas gostam de carnaval?


 

the word keeps turning


sim, depois de horas exaustivas dentro de um carro lotado de malas e pessoas, eis-me de volta à minha terra.
as placas indicavam: “norte do paraná” - enquanto observava as araucárias dançando de mãos dadas pensei que, não moro no norte do paraná, não sou do norte do paraná, acho que moro no sul do estado de são paulo, sim, sou um paulista sujo de terra vermelha e de calcanhares rachados, assim como meus pais e meus avós.
não sou curitibano, não falo “deferente”, não sou antipático e nem abaixo minha cabeça quando devo descompromissadamente cumprimentar o novo vizinho do apartamento na praia.
não pego meu carro e desço para guaratuba “porque é perto, é só uma horinha para descer a serra!” e nem tão pouco guardo minha cordialidade em sobretudos nos dias de frio e garoa.
anyway....
é bom enfrentar monstros, antes de viajar travei uma batalha com dois: o primeiro, o vestibular, o segundo, bom, deixa prá lá... afinal, gente loca tendo recaída é para o ego, há, há, há!

que bom, voltei pra minha caminha...


 

Hacker, Simbiose ou Psicografia?

Sim, Xexé foi à praia de novo. Como se já não bastassem as ausências acadêmicas e amorosas, agora aturamos as litorâneas. Voltará negão e encontrará amigas cheias de saudades e cabelos despontados. Aproveite a praia, jacaré. E volte. Ainda há muito o que viver por aqui, conosco.


 
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